domingo, 17 de junho de 2012

E todos os meu nervos estão a rogar


Pés adormecidos sobre a almofada rasgada. Nas mãos, uma edição passada de um jornal que encontrara dentro da gaveta. Poesia nenhuma naquele emaranhado de cores e bundas e sangue. Um caso de estupro, um de homicídio e o extra terrestre que encontraram no interior de algum estado. Queimou letra por letra, com o isqueiro Bic vermelho que não era seu.  O gosto de malte da noite passada voltava a incomodá-lo.  Os sons que mais cedo passavam por perto da porta estavam diminuindo, assim como a luz, que agora entrava apenas pelo vidro rachado da janela. Dormiu.

Ela fumava seu quinto maço em menos de dois dias. As pernas não ficavam estanques, tremiam em qualquer posição que estivesse. Pintou de preto as unhas roídas, trancou a casa e gritou pelo filho. O garoto amarrou o tênis, pela primeira vez sem ajuda, e seguiu os passos da mãe. Estalando os dedos, ela se esqueceu da manutenção dos fins de semana e esperou o elevador por dois cigarros. Desceu, devagar, as luzes não se ascendem domingo de madrugada. A televisão da guarita falava pra ninguém, o porteiro estava submerso no seu sono e em alguns casacos de moletom.

- Seu Avelino? – sussurrou para não assustá-lo, mas não foi atendida e aumentou o tom – Seu Avellino, Por favor!

- O que quer saindo de casa a essa hora com o menino, dona Fátima? Está tudo deserto, é perigoso. A senhora tá bem?

- Estou bem, só preciso sair daqui, faça-me o favor de abrir a porta.

Nunca mais se viram.
Eu não tenho uma quantidade imensa de coisas a te oferecer. Não sou nenhum príncipe encantado num cavalo branco, no máximo um gordo tentando domar um bicho pré-histórico qualquer. Colocar um pouquinho do meu amor nessas letras embarassadas ( meus óculos parecem que param de funcionar a partir das três da manhã) é uma das poucas coisas que posso fazer bem.  Embora seja extremamente complicado.

Ainda não entendo o que você tem feito comigo nesses quase seis meses. Não sei decifrar o ritmo que meu coração resolveu bater. Não sei muita coisa da vida, só sei que se me perguntarem o que é o amor hoje, digo que é você.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

eu te transformei na minha única salvação
te amo com toda minha angústia
te amo com todo meu falso orgulho
eu te transformei na minha primeira canção

estou procurando teu rosto entre os sinais desconexos das estrelas delirantes, remendando memórias
e dando forma ao instante inexistente. é a mais pura e ardente das saudades.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Frank Zappa provocando uma briga nas minhas entranhas já doloridas. Uma onda misantropa querendo me dominar. Aquele sentimento covarde de novo. Concentration Moon. Queria saber pra onde ir, tá nebuloso, tá feio.
Me preocupo quando recorro a uma postagem neste blog quase póstumo. É, só posto aqui quando morro.

terça-feira, 28 de junho de 2011

o que não tem vergonha

Clamava por silêncio, mas tentava interpretar todo aquele barulho que rondava suas entranhas. Olhara suas mãos minutos antes, eram bem cuidadas, unhas feitas e dedos pouco enrugados. Atestou que o quarto não lhe pertencia. Aquele cômodo era de algum velho. Cheirava a velhos. Era dia, a pouca luz que entrava pelas frestas da porta de madeira confirmava. Cacos de uma garrafa de uísque chamaram sua atenção. O formato dos restos de vidro lhe remetia a reptéis. Ele gostava de reptéis.