sábado, 30 de outubro de 2010

doce solidão.

o som que existia era o apito do guarda noturno, estava só outra vez. talvez a lua minguada o tivesse admiração, ainda não foi provado.risos incontidos o atacaram naquela avenida imunda. quero alguém, quero alguém, quero ela, quero ela.... e ria, e ria da sua precariedade, da sua inconsistência, do seu inconsciente. a bebida amarga travava o peito. deitou na calçada e pediu à lua, eu quero ela, eu quero ela. eu quero ser, eu quero ser. enquanto o peito passa.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

o que não tem juízo

Hora de largar tudo, de fugir. Sua vida poderia ser pior do que um quarto sem janelas. Ignorando a fome, a dor de cabeça e a vontade de vomitar, ele já se sentia bem. Arrumou os objetos do cômodo de um jeito que lhe agradasse, aquilo tudo já era dele. Ouvia muitos passos, gritos e risadas, ou aquilo era um cortiço ou o quartinho estava no epicentro da cidade. Sorriu olhando pra si mesmo no fundo do copo de alumínio.

será que é loucura?

me abraça por trás, depois deita no meu colo e deixa eu mexer no seu cabelo cacheado.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

seu umbigo é frágil como se o cordão ainda estivesse ali.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

abismo.

quem diria, lá vem meu coração saltitando.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

terça-feira, 17 de agosto de 2010

meu ideal seria escrever um poemão, pra alguém gostar de mim ou pelo menos o lerem em meu epitáfio e me venerarem. foda-se, eu só sei rimar amor com dor.

pá furada.

"do amor amuleto que eu fiz, deixei por aí..."

terça-feira, 10 de agosto de 2010

tinindo trincando.

Era um ambiente novo pra ele, chegava  a cheirar estranho e acendia um certo medo. Havia ali excentricidades exageradas para o mundinho que vivia. Procurou um lugar fácil e onde pudesse ter uma visão geral da roda de malucos que se divertiam no meio do mato entoando cantigas, fumando e bebendo coisas estranhas. Nessa panorâmica constatou a presença de uma garota, cabelos lisos, pele morena e outros atributos que lembravam  a descrição de Iracema. O lugar vazio ao lado da moreninha não era fácil, teve de atravessar muralhas de porralocas e hippies pra conseguir sentar-se. Pensou em maneiras mil de abordá-la, quis perguntar do perfume de alecrim que exalava dela e das nuvencarregadas que anunciavam muita água. Ela foi dançar antes de qualquer ato de aproximação verbal. Ele então a seguiu com os olhos e com o corpo fixou-se logo atrás. Ainda dançando e de costas pro garoto perdido, encostou as costas no peito dele e tomou sua mão, virou-se atiçando a vontade e a imaginação dele, soltou as mão,correu em uma direção qualquer e  vomitou no chão. Não se viram mais.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

piada pronta

Está proibido qualquer piada que degrade ou ridicularize, candidato, partido político ou coligação, foi o que disse a Corte na resolução 23.191/2009. E já que qualquer pronunciamento meu sobre o assunto irá conter tons irônicos e de deboche, lhes deixo apenas esse recado:

http://www.youtube.com/watch?v=xwdiDgFLfU0&feature=player_embedded

segunda-feira, 19 de julho de 2010

há quem sambe diferente

Lembro de uma boa quantidade de gente embassada que me esbarrava, enquanto eu me focava no seu samba . Achei que você me esnobava, engano meu, pois esnobava o mundo carregando aquela garrafa de Heineken(só de pose, já esvaziara há algum tempo). Cantavam Novos Baianos e você fugia de tudo virando os olhinhos. Não lembro de mais nada, nem de você.

domingo, 6 de junho de 2010

Abri a janela e expus meu peito ao frio rachante. O pulmão reclamou, dei aquele espirro dolorido que prever um resfriado. Cobri a janela com a cortina, sem fechá-la totalmente, para evitar a entrada de luz e permitir a do ar gelado. Sentei de modo que a corrente diretamente batesse em meu nariz. Ficou vermelho, cocei, ardeu, doeu. Tive que armar esse ritual fajuto pra me aproximar de novo da dor, mesmo que só tenha sido efetiva na narina esquerda. Dor é a única que já me acompanhou que tenho absoluta certeza que não dá pra viver sem.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

simples sou eu

Um pé de maracujá-do-mato não é famoso por sua sombra, mesmo assim um banco de madeira foi montado debaixo de sua copa. Sentado, encarando o mundo estava um senhor míudo, acaboclado, de chapéu coco e bigodinho curto quase chapliniano. Quem olha. de longe presume o quão simples é e tem certeza do que faz ali. "Os assuntos não passam da impontualidade da chuva e da última briga no bar da frente, no máximo reclamou do inferno que o mundo virou, exaltou sua época e pediu uma branquinha". Quem o escuta, percebe o quão turvo é o pré-julgamento. Seu Florindo apenas observa com orgulho o seu reino. Chegou ali já tarde, nos seus cinquenta e poucos anos (trinta antes dessa descrição), depois de ter os dedos feridos e a cara exposta ao sol e à exploração dos patrões coronéis, se assumiu sem-terra e enfrentou a luta por um pedaço de chão. Observa agora onde essa via crucis lhe levou. Mostra sorridente o que conseguiu pros filhos, demarca o que é dele, ou que ao menos dizem que é. A casa menor da redondeza o abriga com a 'véa', o bar quem cuida é o seu menino mais velho, a casa de trás comporta o mais novo com inumeráveis netos e bisnetos, além dos outros descendentes que devem sua moradia a ele. Pronto, Seu Florindo já fez a sua parte, os filhos retribuem trabalhando enquanto ele se esbalda em seu trono com cheiro e gosto de maracujá.
- Simples sou eu.

só

Costumava andar só, de vez em quando. Quando andava só, sentia medo. De vez em quando sentia medo. Hoje eu tô só e não tenho medo. Nem o medo me acompanha mais de vez em quando.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

nem nunca terá

Não achou janela, nem banheiro, cuspiu a saliva de recém-acordado ali mesmo no copo vagabundo. Porta trancada, checou seis vezes antes de pensar em quebrá-la com um soco.A mão sofreu na tentativa, sua força era pequena em relação ao peso que seu corpo fazia tendendo para o chão. Os olhos ainda não captavam tudo e a memória ainda não funcionava, mesmo com sua aparência gritando no reflexo produzido por um relógio antigo e quebrado, talvez fosse hora.

terça-feira, 11 de maio de 2010

apatia.

Minha experiência em campo com o futebol se resume na euforia de dois gols, um nas partidas que rolavam depois do Karatê e outro que fiz de joelho na casa de um tio, ambos na primeira série. Não necessariamente por gostar. Depois disso não me lembro de ter chutado uma bola com mais de duas pessoas como adversário. Não disputava os campeonatos de interclasse da escola, preferia desenhar e criar histórias do que bater o baba com os coleguinhas, desisti de completar o álbum da Copa de 2002 e passei a comprar figurinhas de Pokemon. Não necessariamente por não gostar.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

vim querendo escrever muito, escrever de verdade, mas a única palavra que quer sair de mim é 'vazio'.

domingo, 28 de março de 2010

um dia eu largo tudo e viro vigia noturno do bem querer.
Ainda meio bobo e ofegante, entrou no primeiro taxi da fila, fitou um ponto qualquer da cidade,demorou de dar as coordenadas para o motorista e pra perceber a presença de um boneco do Elvis pendurado em sua frente. Depois se deu conta que precisava estar na rodoviária e em poucos segundos começaria a fisicamente se distanciar da garota recém beijada. As luzes daquela Salvador confusa começaram a andar e ele a olhar repetidamente o retrovisor, ainda sabendo que não conseguiria vê-la, só queria guardar aquele ar cosmopolita, mesmo que não combinasse muito com o perfil dos dois. Não demorou muito praquela cena se resumir a uma lembrança e pra que o desejo de uma continuação fosse lentamente transformando-se em utopia. Mas acredita que toda boa mudança começou de algum utópico maluco e insiste em pensar nela, insiste em ter saudade e insiste em acreditar que algo concreto e constante aconteça entre eles mais tarde. Mesmo sabendo que esse mais tarde pode demorar demais. ( e se não acontecer ele procura lugar mundo dos sem paixão, já fez isso antes)

quarta-feira, 17 de março de 2010

o que não tem sentido

A luz mal passava pelas frestas de seus olhos entreabertos, quando decidiu tentar levantar da cama. Não reconhecia aquele cômodo, nem mesmo o rosto mal barbeado que era refletido no copo de alumínio em cima do criado-mudo. Checou o copo, cheirava a uísque. Quem diabos bebe uísque em copo de alumínio?

quarta-feira, 10 de março de 2010

happiness is a warm gun...

Eu tenho medo dessa minha felicidade, talvez por não conhecê-la direito ou por carregar a inoportuna certeza de que ela finda ( apesar de me parecer inesgostável). São raros os momentos de minha vida que estive bem resolvido com todos os aspectos sociais que me rodeiam, e este é um deles. Eu sabia que meu tempo de respirar chegaria, estava pronto pra ele, mas ao chegar desperta essa sensação de que a qualquer momento posso ter asfixia novamente. Também não sei lidar com o novo, principalmente esses sentimentos e sensações que as pessoas tem me provocado ultimamente. Então sigo agindo com minha maestrosa falta de coordenação emocional e tendo medo dos meus medos.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Darkness at the break of noon
Shadows even the silver spoon
The handmade blade, the child’s balloon
Eclipses both the sun and moon
To understand you know too soon
There is no sense in trying.

Pointed threats, they bluff with scorn
Suicide remarks are torn
From the fool’s gold mouthpiece the hollow horn
Plays wasted words, proves to warn
That he not busy being born is busy dying.

Temptation’s page flies out the door
You follow, find yourself at war
Watch waterfalls of pity roar
You feel to moan but unlike before
You discover that you’d just be one more
Person crying.

So don’t fear if you hear
A foreign sound to your ear
It’s alright, Ma, I’m only sighing.

As some warn victory, some downfall
Private reasons great or small
Can be seen in the eyes of those that call
To make all that should be killed to crawl
While others say don’t hate nothing at all
Except hatred.

Disillusioned words like bullets bark
As human gods aim for their mark
Make everything from toy guns that spark
To flesh-colored Christs that glow in the dark
It’s easy to see without looking too far
That not much is really sacred.

While preachers preach of evil fates
Teachers teach that knowledge waits
Can lead to hundred-dollar plates
Goodness hides behind its gates
But even the president of the United States
Sometimes must have to stand naked.

An’ though the rules of the road have been lodged
It’s only people’s games that you got to dodge
And it’s alright, Ma, I can make it.

Advertising signs they con
You into thinking you’re the one
That can do what’s never been done
That can win what’s never been won
Meantime life outside goes on
All around you.

You lose yourself, you reappear
You suddenly find you got nothing to fear
Alone you stand with nobody near
When a trembling distant voice, unclear
Startles your sleeping ears to hear
That somebody thinks they really found you.

A question in your nerves is lit
Yet you know there is no answer fit
To satisfy, insure you not to quit
To keep it in your mind and not forget
That it is not he or she or them or it
That you belong to.

Although the masters make the rules
For the wise men and the fools
I got nothing, Ma, to live up to.

For them that must obey authority
That they do not respect in any degree
Who despise their jobs, their destinies
Speak jealously of them that are free
Cultivate their flowers to be
Nothing more than something they invest in.

While some on principles baptized
To strict party platform ties
Social clubs in drag disguise
Outsiders they can freely criticize
Tell nothing except who to idolize
And then say God bless him.

While one who sings with his tongue on fire
Gargles in the rat race choir
Bent out of shape from society’s pliers
Cares not to come up any higher
But rather get you down in the hole
That he’s in.

But I mean no harm nor put fault
On anyone that lives in a vault
But it’s alright, Ma, if I can’t please him.

Old lady judges watch people in pairs
Limited in sex, they dare
To push fake morals, insult and stare
While money doesn’t talk, it swears
Obscenity, who really cares
Propaganda, all is phony.

While them that defend what they cannot see
With a killer’s pride, security
It blows the minds most bitterly
For them that think death’s honesty
Won’t fall upon them naturally
Life sometimes must get lonely.

My eyes collide head-on with stuffed
Graveyards, false gods, I scuff
At pettiness which plays so rough
Walk upside-down inside handcuffs
Kick my legs to crash it off
Say okay, I have had enough
What else can you show me?

And if my thought-dreams could be seen
They’d probably put my head in a guillotine
But it’s alright, Ma, it’s life, and life only.

Entrei na raspa da segunda lista de Comunicação Social na UESB, não é bem a universidade dos sonhos, mas estou satisfeito, esperava menos do curso e dos colegas. Continuo querendo sair da cidade, talvez pela ascenção profissional mais fácil ou por coisas internas estarem magneticamente me puxando para Salvador. Já me matriculei no curso de fotografia e agora preciso escrever coisas úteis e divulgáveis para o novo blog que tenho em mente!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

trilhos

Ainda não sei o destino dessa locomotiva, mas já estou acomodado aqui. A moça que acaba de entrar tem jeito de lavanda antiga, embora ainda não consiga sentir seu cheiro. Parece saída duma música de Chico, encantei-me. É toda feita de mel, os olhos, o cabelo e a pele comungam da mesma cor. Tenho que encostar um pouco, pelo visto vai sentar do meu lado...

domingo, 24 de janeiro de 2010

fumaça

Até os classificados e o horóscopo, já li duas vezes. Desde que sentei aqui os cheiros mudaram e os destinos tornaram-se incertos, mas eu continuo nessa agoniante parada. Minha estranha face já expõe os aspectos do desespero. O verão já faz as malas e o meu trem não chega... Epa, olha o som das trombetas, lá vem!