sexta-feira, 4 de junho de 2010

simples sou eu

Um pé de maracujá-do-mato não é famoso por sua sombra, mesmo assim um banco de madeira foi montado debaixo de sua copa. Sentado, encarando o mundo estava um senhor míudo, acaboclado, de chapéu coco e bigodinho curto quase chapliniano. Quem olha. de longe presume o quão simples é e tem certeza do que faz ali. "Os assuntos não passam da impontualidade da chuva e da última briga no bar da frente, no máximo reclamou do inferno que o mundo virou, exaltou sua época e pediu uma branquinha". Quem o escuta, percebe o quão turvo é o pré-julgamento. Seu Florindo apenas observa com orgulho o seu reino. Chegou ali já tarde, nos seus cinquenta e poucos anos (trinta antes dessa descrição), depois de ter os dedos feridos e a cara exposta ao sol e à exploração dos patrões coronéis, se assumiu sem-terra e enfrentou a luta por um pedaço de chão. Observa agora onde essa via crucis lhe levou. Mostra sorridente o que conseguiu pros filhos, demarca o que é dele, ou que ao menos dizem que é. A casa menor da redondeza o abriga com a 'véa', o bar quem cuida é o seu menino mais velho, a casa de trás comporta o mais novo com inumeráveis netos e bisnetos, além dos outros descendentes que devem sua moradia a ele. Pronto, Seu Florindo já fez a sua parte, os filhos retribuem trabalhando enquanto ele se esbalda em seu trono com cheiro e gosto de maracujá.
- Simples sou eu.

Nenhum comentário:

Postar um comentário